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Viagem à Flora

de Luciano de Miranda

Matão, São Paulo

Lucianus está enjoado de sua rotina no mundo moderno. Exausta, sua mente cria recursos para
aliviar o sofrimento e ele parte para uma viagem psicodélica a um reino misterioso, que se mostra

tão belo quando perigoso. O pobre homem encontrará uma saída?

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Entrevista

1 - Você pode se apresentar falando sobre sua arte, suas realizações, colaboradores e como se apresenta a cena de cinema independente na região em que você vive.
Salve! As pessoas me chamam Luciano de Miranda. Nasci e morei a vida toda em Matão, um município pequeno do interior de SP. Aqui, na década de noventa, além da vadiagem e uso de substâncias recreativas, aprendi a preencher meu tempo com música, livros, quadrinhos, videogames, RPG e, é lógico, cinema.

Acho que por isso mesmo, em 2011, fui trabalhar em uma produtora de vídeo aqui da cidade. A partir daí comecei a perceber que era possível fazer filmes sem muitos recursos. Na verdade, este era um desejo antigo, que passou pela adolescência, quando eu brincava com uma câmera VHS, emprestada pelo meu amigo Bodão, pelas experiências com os primeiros celulares equipados com câmeras e algumas tentativas frustradas.

Mas foi apenas em 2019 que lancei meu primeiro curta, “Peso Morto”. Bom, eu já tinha um filme, editado em 2011, que não tinha mostrado pra ninguém, mas “Peso Morto” foi quando começou a valer.

Veio a pandemia. Trancado em casa e contando apenas com a ajuda do meu filho Lucas (então com 8 anos de idade) e um celular, fiz mais uns dez filmes, entre eles o mais conhecido “C.H.U.P.A.” (2020), além de “Siririca Power” (2020), “A Grande Piada” (2021), “Zé Não Gosta de Flor” (2022) e outros. Surgia a Crânio Fitas, nossa produtora underground.

Meus curtas pandêmicos me deram alguma bagagem e em 2024 consegui uma verba de edital para enfim dar um passo adiante: juntar pessoas para fazer um filme. Daí saiu “O Monstro de Outro Planeta” (2025), nosso filme de trampo no momento.

Com ele aprendi que produzir sozinho é legal, mas trabalhar em equipe é mais instigante. Na produção, pude contar com a ajuda de dois irmãos de vida com quem já trabalhei em produtoras e que comigo formaram a base do projeto: Du Anunzio na direção de fotografia e Guilherme Paviani na edição e efeitos especiais.

Foi um barato envolver cerca de trinta pessoas na produção! Kadi Silva, nosso alienígena, um artista excepcional aqui da cidade; Leo Lavezzo e Raquel Turri Leme, que fizeram teatro no passado e no filme deram vida ao casal Armando e Magda; familiares e amigos que toparam participar; a galera do skate; e ninguém mais, ninguém menos que nossa musa inspiradora (risos) Petter Baiestorf, que encarnou o delegado Roberto Del’Gado e, junto com o Airton Bratz, o Chibamaaaaar Bronxxxxx e Fabiano Soares, na câmera, compuseram o núcleo palmito-carioca do filme.

Vamos ver onde esse Monstro vai chegar…

2 - Conte-nos como foram as filmagens de seu segmento para o “Tropical SOV”.
Para meu segmento, “Viagem à Flora” (2025), a princípio eu iria usar um argumento rascunhado há uns dois anos, mas que se mostrou inviável por conta das exigências de locações e elenco. Pensei mil vezes e decidi partir para outra: voltar um pouco às origens,
gravando sem roteiro, fazendo o papel principal e criando algo mais pessoal, ou seja, no meu caso, mais lisérgico e absurdo.

Estava curioso para saber como seria produzir no “modo pandêmico”, mas com a presença do Du Anunzio e do Guilherme Paviani. Então, depois de muita enrolação, numa sexta-feira qualquer, gravamos o filme em apenas uma diária!

A captação foi até tranquila: o Du na câmera (obrigado pelos equipamentos, mano!), o Gui pontuando as cenas em que iriam entrar elementos na pós (seriam várias) e eu enchendo a cabeça dos dois de minhoca e fingindo ser ator.

De manhã gravamos as internas, com direito a sangue e tripas. À tarde gravamos as externas em duas locações: um túnel e uma mata.

3 - Teve algum imprevisto durante as filmagens que você gostaria de nos contar (com todos os detalhes sórdidos, por favor).
O filme todo é um imprevisto (risos). A preparação foi apenas a criação do argumento, separação de figurino e a confecção do sangue e tripas falsos, pela Franciele Ramalho. Todo o resto veio no instinto.

Na prática o que eu poderia chamar de imprevisto?

Ah, teve algo marcante! Há uma cena em que meu personagem, Lucianus “Luciano” Psiloranda, está aterrizando (quem sabe, sabe) de sua viagem psicodélica. Para ilustrar, escolhi gravar em um túnel. Como conheço bem a cidade, nem visitei a locação, que fica na zona rural, previamente. Chegando lá o lugar se confirmou visualmente perfeito, mas tínhamos ignorado a possibilidade de tráfego (quem dera fosse tráfico), que pelo horário estava complicado. Em cada take a gente tinha que esperar um veículo passar. Como é um plano longo foi um vai e volta sem fim, o que atrasou um pouco as coisas.

4 - Além das tuas produções cinematográficas tu também tem se especializado em fazer pôsteres de filmes e de festivais de cinema, como do Cine Caos. Gostaria que você falasse um pouco sobre este trabalho. Aproveitando o espaço, recentemente tu teve uma experiência com editais ao filmar “O Monstro de Outro Planeta”, você poderia nos contar como foi produzir via edital?
Outra coisa que a pandemia me trouxe de volta foi a vontade de desenhar. Assim como o cinema, é algo que sempre amei, mas nunca mantive uma constância ou viés profissional. Com o isolamento, voltei a desenhar e algumas vezes publicava o resultado em minhas redes sociais.

Então, em 2021, o Petter Baiestorf me chamou para fazer a capa do livreto “Como realizar atos de desobediência e subversão em festas de ricaços”. A peça fazia parte das metas estendidas do financiamento coletivo do livro Manifesto Canibal - 2ª Edição. Foi uma grande alegria participar desse momento lindo!

O lançamento chamou a atenção da Eliete Borges, produtora e criadora do Cine Caos de Cuiabá/MS. Eu adorava a mostra e já tinha conseguido uma seleção com o filme “C.H.U.P.A.”, naquele mesmo ano. Eliete então me convidou para ilustrar o catálogo da mostra de 2022. Esse trampo foi um marco, já que fiz mais de 60 ilustrações, sendo que cada filme da mostra ganhou um desenho; e acabei indo além e fazendo toda a diagramação, ou seja, o projeto gráfico do catálogo ficou todo em minhas mãos. Foi um
desafio enorme, mas o resultado gerou muitos elogios da direção e dos realizadores selecionados naquela edição.

Depois disto, continuei no Cine Caos onde estou até hoje. Criei as artes de divulgação em 2023 e 2024 e acabei me envolvendo também na produção da mostra, onde cuido das inscrições e da coleta e organização do dos filmes selecionados. A Eliete é uma grande amiga!

De lá pra cá também criei pôsteres de vários curtas, entre eles “Pazukids” (Edgar Soares, 2023), “Possessão Pulsante” (Petter Baiestorf, 2024), “A Praia dos Amores do Senhor Baiestorf” (Jonathan Rodrigues, 2024), “Piquenique no Castelo” (Petter Baiestorf, 2024), “O Monstro de Outro Planeta” (Luciano de Miranda, 2025) e agora “Viagem à Flora” (Luciano de Miranda, 2025).

Sobre a experiência com editais:

Veja só a importância de se manter em movimento e tirar seus roteiros e planos do papel: a produção caseira e outras atividades relacionadas ao cinema me proporcionaram um portfólio. Com isso uma parte do caminho para conseguir recursos via editais já estava percorrida.

Desde 2020 comecei a tentar algo nesse sentido. O primeiro projeto que inscrevi foi no PROAC, aqui em SP. A princípio foi meio na zoeira, mais pra testar mesmo. Mas já na primeira tentativa, com o projeto de “O Monstro de Outro Planeta”, fiquei empolgado, pois, apesar de não conseguir aprovação, fiquei com nota acima de 7, o que nos deixou “no meio da tabela”, em um edital super concorrido, com mais de mil inscritos. Era possível!

Não desisti e no ano seguinte consegui uma pequena verba, no próprio PROAC, como artista educador. O projeto aprovado resultou no workshop em vídeo chamado “Como fazer cinema usando apenas o celular”. Olha aí meu currículo aumentando novamente! Neste mesmo ano também inscrevi um projeto de curta, não consegui aprovação, mas tive melhor nota que do ano anterior.

Em 2022, mais tentativas no PROAC, sem resultado.

Então, no final de 2023, surgiu a Lei Paulo Gustavo. O que diferenciava ela dos editais estaduais e nacionais é que a verba era repassada aos municípios. Com uma concorrência muito menor (aqui em Matão somos apenas 80 mil habitantes e a cidade não tem tradição em cinema), senti que havia chegado a hora.

Inscrevi novamente “O Monstro de Outro Planeta” e um projeto para continuação do nosso cineclube, o Cine Crânio 30 e… consegui aprovação em ambos!

Desta forma, pela primeira vez tivemos uma verba para pagar equipe, elenco, transporte, alimentação, comprar figurino, objetos de cena e outras coisas. A parte legal é que conseguimos envolver mais pessoas e o resultado é um filme que tem seus problemas, mas que nos orgulha muito. “O Monstro” foi lançado no final de fevereiro de 2025 e até abril do mesmo ano já conquistou três seleções em festivais.
No final de 2024, mais uma vez na LPG, mas com verbas menores, conseguimos aprovar um projeto de curta, baseado em “Alice no País das Maravilhas” (alguém falou Alicestorf aí?) e dar continuidade ao Cine Crânio.

Infelizmente os recursos da LPG acabaram e não há muita perspectiva de continuidade. A política está mudando. Mas vamos ser otimistas, usar a bagagem adquirida com essas aprovações e partir para editais maiores, além de ficar de olho e torcer para que surjam outras leis que beneficiem os municípios.

Enfim, editais e sua burocracia não são as coisas mais legais ou fáceis de se participar, mas vejo como uma saída, uma espécie de mal necessário, para conseguir recursos e recompensar as pessoas que acreditam em seu projeto ou sempre estiveram ao seu lado.

5 - Nosso projeto “Tropical SOV” celebra o Shot On Video, que sempre foi uma expressão cinematográfica marginal à produção de cinema oficial e inspirado na filosofia do “Faça Você Mesmo”. Que conselho você gostaria de dar (ou qualquer tipo de ponderação) sobre essa arte tão difícil, mas divertida, de se produzir de maneira independente?
Veja muitos filmes! Conheça os diretores de seus gêneros preferidos. Entenda um pouco da história do cinema. Não precisa ser um grande estudioso, apenas assista filmes. Preste atenção na maneira como as coisas são colocadas na tela. Imagine-se fazendo o mesmo. Melhor ainda, imagine-se fazendo diferente. Como você faria? Eu não sou nenhum especialista, minha memória é péssima e atualmente meu tempo é escasso, mas nunca parei de ver filmes, desde aquela nostálgica tarde em que assisti “As 7 Faces do Dr. Lao” na televisão, tomando mamadeira. AME O CINEMA.

Saiba que a arte cura. Os mais atentos perceberam que usei minha arte para atravessar um período horrível de nossa história recente. Expressar-se artisticamente é colocar seus fantasmas, camaradas ou não, para fora. Sabe aquele abismo sombrio da sua consciência que às vezes olha pra você? Olhe de volta e registre as imagens. Seu filme será no mínimo sincero. ACREDITE.

Pare de idealizar tanto as coisas. Nem tudo precisa ser perfeito. Aliás, é bom que seu filme não seja perfeito (risos). A perfeição é um conceito fascista. Afinal, (quase) ninguém liga para o que vai você fazer mesmo. Apenas consuma a substância de sua preferência e saia escrevendo, desenhando, pintando, compondo, filmando, produzindo. APERTE A PORRA DO REC.

E não se esqueça de mostrar suas obras para os outros. Mostre para sua mãe, pro seu irmão, pro seu filho, mas mostre. Depois passe o filme no boteco da esquina, no aparelho de cultura de sua cidade. Jogue seu filme na internet, afinal ele não é mais seu a partir do momento que ele se materializa. Fale dele para todos. Envie para quantas curadorias conseguir. SEJA SEM VERGONHA.

É isso: sinto um grande prazer em estar aqui com vocês!
Cinema é amor e o underground é a expressão mais pura do cinema.

Ficha técnica

Direção e Roteiro: Luciano de Miranda

Direção de fotografia: Eduardo Anunzio

Edição, som e FX: Guilherme Paviani

Efeitos práticos: Franciele Ramalho

Música final: Eric Uliana

 

Elenco:

Luciano de Miranda (Lucianus Psiloranda)

Gurcius Gewdner (Rei Cocô)

Gravado com câmera Sony ZV-E10

Crânio Fitas

Filmografia

Coffee Break (Brasil, 2011, 2’10”)
Peso Morto (Brasil, 2019, 4’08”)
Sono Bom (Brasil, 2019, 2’58”)
AE PÔ (Brasil, 2020, 1’33”)
Oito (Brasil, 2020, 8’39”)
C.H.U.P.A. (Brasil,
2020, 2’25”)
Na Cabeça de Baiestorf (Brasil, 2020, 6’20”)
O Vazio da Existência Reflete a Luz Mórbida das Estrelas (Brasil, 2020, 2’23”)
Siririca Power (Brasil, 2020, 2’52”)
A Grande Piada (Brasil, 2021, 1’32”)
Zé Não Gosta de Flor (Brasil, 2022, 3’16”)
O Monstro de Outro Planeta (Brasil, 2025, 24’15”)
Tropical SOV (segmento Viagem à Flora, Brasil, 2025)

REPRESENTAÇÃO

Representação

Distribuição

Informações

Petter Baiestorf

baiestorf@yahoo.com.br

(49) 99807-1432

© 2025 layout por Além da Terra. Editado por Jonathan Rodrigues. Criado com Wix.com

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