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Pôster Oficial Tropical SOV

L. Bórgia Rossetti

Compositor da trilha sonora de abertura e encerramento

Joinville, Santa Catarina

Músico e criador do projeto Esmectatons, o compositor da trilha sonora de Pazucus agora no Tropical SOV

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L. Bórgia Rossetti

Entrevista

1 - Você pode se apresentar falando sobre sua arte, suas realizações, e como é a cena de cinema independente e música na região em que você vive.
Entre minha infância no final dos anos 90 e 2024, gravei literalmente centenas de álbuns musicais completamente diferentes no conteúdo (e circunstâncias / qualidade de gravação), quase todo o material publicado em formato físico de produção própria acompanhado de minhas artes e colagens, filmes curtos etc. A partir da pandemia, tive oportunidade de trabalhar com artistas que me influenciaram e pelo fato que certos discos do meu projeto de longa data Esmectatons tiveram boa aceitação no Japão, colaborei e produzi com artistas de lá e isso resultou na criação do selo Ultra Gash Records, que hoje consta com um catálogo DIY de mais de 80 títulos. Além das obras em que participo na performance, com o selo consegui reunir em catálogo pioneiros de diversas vertentes da vanguarda (jazz/prog, noise/industrial, no wave, krautrock/eletrônica) com artistas experimentais regionais e independentes.
Moro em Joinville desde os anos 2000. Se a região tem cena atualmente, desconheço. Existem máfias de cartas marcadas ou panelinhas, mas poucas duram. Você vai encontrar mais consistência só no público de metal. Tenho colegas que deram partida em movimentos underground relacionado a música eletrônica, mas 98% são DJs não produtores e para poderem rodar o que querem, parece necessário comercializar uma festa e atrações para um público maior, ajustar repertório. Mas talvez eu não seja a melhor pessoa para perguntar; continuei tentando levar muita coisa nas costas sozinho no período posterior a partida do Gurcius, mas nunca fiz parte de nenhum coletivo artístico, nem tive oportunidade de ganhar a vida com qualquer coisa relacionada a artes. Houve um momento em que precisei de ajuda, mas honestamente não faço questão de puxar saco de ninguém para abrir portas, e sei que tem gente que odeia o que faço, outros que preferem que eu fique enterrado para não roubar espaço, mas foi assim que aprendi a me virar. Não tem quem tocar tal instrumento ou fazer tal som? Eu aprendo, eu gravo. Não tem quem produz? Eu faço. Aí por diante. Infelizmente os fóruns e redes sociais não são mais uma opção saudável, e o algoritmo tende a destruir quem não tem como dedicar tanto tempo em exposição inútil. 

2 - Você foi o responsável pelas composições das músicas dos créditos iniciais e finais, além das trilhas sonoras de alguns dos segmentos. Poderia falar sobre estes trabalhos. E, ainda, poderia nos contar como funciona teus métodos de criação musical?
Quase todo processo criativo acontece de forma diferente. Quanto a trilhas sonoras existe uma gama de situações que envolvem se vou ter o filme pronto antes de pôr a trilha, o quanto de liberdade é concedida, etc. Também por ser um grande arquivista (coleciono desde 2006 sons capturados de objetos e coisas aleatórias para minha biblioteca e gravo QUASE tudo que executo em um instrumento) além de promover sessões de improviso a cada vez que piso em um estúdio acompanhado, as vezes já tenho faixas que se encaixam na trilha sonora. A faixa tema para o Tropical SOV saiu de uma gravação de teste, editada e remasterizada posteriormente. 

Não considero nem produzo nada como entretenimento; não entenda mal, isso não tem nada a ver com o humor/tom de uma obra nem com o fato de ela poder ser agradável e divertida. Mas tanto a maneira que escrevo quanto a que consumo mídia em geral, é obsessiva e de digestão intensa. Eu sempre tive essas ideias, e o processo de executar, transferir essas peças da minha cabeça para um item de arquivo, é um exorcismo. Eu sou intensamente atormentado pelos projetos inacabados. Agora, no projeto audiovisual colaborativo, o processo intuitivo é diferente. Existem obras em que o melhor é não ter música, outras você acompanha passo a passo da cena como Carl Stalling. Dependendo da situação um certo tema pode roubar a atenção de forma indevida, mudar o clima. Acho que o principal motivo da minha aversão a filmes mainstream modernos é o padrão atual de trilha sonora, até nos trailers.

3 - Você era para ter dirigido um dos segmentos do filme. Pode falar sobre ele e porque não rolou as gravações? As vezes as dificuldades de produção e a não feitura da arte também nos ensina muito.
Estou exausto e ainda precisando de tempo para voltar a meus próprios projetos. Meu extenso catálogo ficou para trás. Tenho outra centena de projetos em aberto, material antigo para relançar, mas não consigo terminar nada de novo há muito tempo. O público do meu selo é estrangeiro, para mandar cada CD para fora, o frete e taxas são absurdos até chegar ao ponto de eu tentar trocas com selos de fora, mandar pacotes de distribuição, etc. Tudo foi se provando mais revés. Ano passado produzi e apoiei eventos maiores do que eu estava acostumado, numa dessas ainda roubaram toda a parte de ferragem da minha bateria. Eu estou sumido e quieto porque tenho noção da minha atual negatividade quanto a tudo relacionado com arte, e apesar de eu estar alcançando pouquinho mais de paz mental, o preço foi justamente diminuir o passo dessas produções e voltar a dormir, ter um tempo para usufruir coisa boba e não só trabalhar, produzir e consumir mídia que te faz dormir com a cabeça fritando ainda mais. Assim que passar essa etapa de recuperação, entro no modo de produção contínua por outros 5 anos novamente, o ciclo é eterno. Triste que não consigo tempo para fazer um curta mas tem mais a ver com meu estado/ritmo derrotado. Exemplo disso é “O Cateter”, que produzi 100% em 3 dias.

4 - Aproveitando o espaço, alguns anos atrás você dirigiu o curta escatológico “O Cateter”, poderia nos contar como foram as filmagens e recepção deste trabalho.
Foi uma experiência. Além da gravação imediata, gravei com pessoas que convenci com menos de uma semana de antecedência, zero orçamento. A gravação em si foi feita em um dia só. Para certos reparos, precisei voltar ao local e refilmar umas cenas adicionais, mas segundo e terceiro dia de produção foram para compor e gravar a trilha sonora e montagem do vídeo. Eu nunca tinha feito sangue falso, fezes e urina dei um jeito de forma básica, o vômito era uma mistura com miojo batido no liquidificador. Para a cena na segunda localização (no bar de boccia) consegui autorização e voluntários apenas noite anterior a filmagem. Independente de interpretação ou comparação, para mim o filme só expressa um máximo. Tentei o possível com menos tempo, sem orçamento nem experiência em diversos fatores. Tem dias que eu odeio esse curta, em outros acho qualidade nos defeitos – exemplo, o fato de não ter figurino decente para todos acrescenta na lógica de sonho. O filme estreou no Unco Fest (Japão), do Kago Shintaro, o qual chegou a fazer duas capas de disco para meus projetos. Depois o filme passou por mais alguns festivais, inclusive o Floripa Que Horror!, se não me engano sob curadoria do Baiestorf. A recepção sempre é engraçada, principalmente de quem não gostou, que geralmente tem ótimos comentários; e tem muita gente que vem contar que entendeu algum simbolismo na sequência. 

5 - Nosso projeto “Tropical SOV” celebra o Shot On Video, que sempre foi uma expressão cinematográfica marginal à produção de cinema oficial e inspirado na filosofia do “Faça Você Mesmo”. Que conselho você gostaria de dar (ou qualquer tipo de ponderação) sobre essa arte tão difícil, mas divertida, de se produzir de maneira independente.
Conselho meu? Não se sobrecarregue. Ao menos tente, as vezes é impossível. Mas estou pagando o preço disso hoje: aquilo que era a maneira de expressar e que eu fazia com gosto acabou se tornando a gota d’água e me vi mais tranquilo sacrificando o excesso de produção de mídia do que reduzindo carga horária dos meus serviços cotidianos (que são pesados e não tem nada a ver com artes). Produção DIY exige muita coisa cansativa, e não é incomum essa situação de alguém fazendo tudo sozinho. Se na sua região é possível encontrar parceiros confiáveis para dividir tarefas, acredito que isso já ajudaria bastante. 

Filmografia

Compositor

Pazucus: A Ilha do Desarrego, de Gurcius Gewdner (2017, Brasil, 111 min.)

Est-ce ainsi que les hommes vivent?, de J.J. Alani (2017, França, 4 min.)

O Catéter, de L. Borgia Rossetti (2021, Brasil, 10 min.)

A Nau dos Loucos: Mergulho e Decolagem de Pazucus, de Gurcius Gewdner (2021, Brasil, 103 min.)

Texas Carlos Massacre, de Gurcius Gewdner (2021, Brasil, 35 min.)

Leve e Macio (Passarinho), de Cleyton Xavier (2022, Brasil, 5 min.)

Gurcius and His Week of Wonders: Find Yourself, de Gurcius Gewdner (2022, Brasil, 3 min.)

Gurcius and His Week of Wonders: Dublê de Lixo, de Gurcius Gewdner (2022, Brasil, 4 min.)

Gurcius and His Week of Wonders: Agua de Bebêr, de Gurcius Gewdner (2022, Brasil, 3 min.)

Faces Retais - O ano da coruja, de Judas Vanir e Bogomili Ovos (2022, Brasil, 7 min.)

O Leiteiro, de Jonathan Rodrigues (2024, Brasil, 9 min.)

Tropical SOV, de vários (2025, Brasil, 92 min.)

Diretor

Esmectatons Original Film - Regret (2006, Brasil)

Esmectatons Original Film - Grand Guignol Z (2010, Brasil)

O Catéter (2021, Brasil, 10 min.)

REPRESENTAÇÃO

Representação

Distribuição

Informações

Petter Baiestorf

baiestorf@yahoo.com.br

(49) 99807-1432

© 2025 layout por Além da Terra. Editado por Jonathan Rodrigues. Criado com Wix.com

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