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Entrevista
1 - Você pode se apresentar falando sobre sua arte, suas realizações, colaboradores e como se apresenta a cena de cinema independente na região em que você vive.
Sempre gostei de produzir, desmontar as coisas, inventar mecanismos, reaproveitar, etc. Desde criança fui assim e vou levando. Meus trabalhos em vídeo começaram mais ou menos por volta de 1998/99, não sei direito. Eu já me interessava por animações. Desde criança inventando moda.
Em 1994, conheci o Petter pelos fanzines, achei massa a onda, fizemos uns zines juntos, participava do Arghhh (fanzine editado pelo Petter), etc. Bom, fui levando, fazia programação visual na época em BH, e resolvi fazer uma animação, quadro a quadro. Para isso precisava de uma mesa de luz. Fui olhar numa papelaria se tinha para vender e lá conversei com o atendente. Tinha uma mulher atras de mim que puxou conversa e me falou que tinha um amigo que estava fazendo um grupo de animação. Era o Leo. Me deu o telefone dele, liguei e fui numa reunião do grupo, conheci o stop motion e esqueci a animação quadro a quadro. Com o tempo, o grupo foi se dissolvendo e ficou só eu e o Leo, que tem uma proposta mais profissional da coisa, com esqueletos de aço, usinados, etc, o que acho muito massa também. Eu até curto esta proposta, mas fui fazendo da forma que conseguia fazer e estou até hoje fazendo. Nesta época, fiz aos trancos o curta “O Mingau da Vovó”. Filmei usando uma mini vhs do meu tio, e o Leo editou, pois na época era bem difícil de editar, filmar, etc. Ele trabalhava num lugar que tinha uma mesa de edição e o dono lá deixou usar, varamos a noite na edição, uma trabalheira danada, mas foi mágico a coisa. Aí mandei para a MTV, que foi exibida no programa do Gordo, mandei para festivais, enviei para o Petter, que colocou como bônus num filme dele, etc. Foi bem legal. Dai para frente nunca parei de fazer, mas sempre fiz com o que tinha disponível para fazer. Experimentações, gambiarras, etc. Fui fazendo e mandava para os festivais que achava pela internet.
De uns tempos para cá, diminui a produção, deu um piripaco na minha coluna e estava ruim para fotografar, editar, mas, fazia com a coluna doendo mesmo. Isso da uma desanimada, melhorei um pouco e resolvi montar um mini estúdio para retomar com os stop motions, com croma key, iluminação, tentar melhorar os esqueletos dos bonecos, edição com croma key no premiere, etc, fui fazendo assim, montei o estudio com o que tinha, comprei umas lâmpadas, fios, compensados e fiz um vídeo sem preocupar com roteiro, nada. Ai mandei para festivais. O que achava que precisava melhorar no estúdio , ficava guardado na cabeça, no próximo filme, arrumava as coisas que precisava melhorar e fui fazendo, rodando o próximo. Este que fiz para o “Tropical SOV” é o meu quarto vídeo testando e arrumando o estúdio novo. Mas, neste, prestei atenção um pouquinho também nos movimentos e esqueletos dos bonecos, que já anotei o que posso melhorar para o meu próximo vídeo. Assim vou seguindo e continuo fazendo.
Quando o Petter me convidou para participar do “Tropical SOV”, estava prestes a filmar um gore, para testar a iluminação e aprender o lance no Première e croma key. Foi muito legal, por que o que me anima a fazer os vídeos é o gore mesmo, as tripas (risos). Acho massa os bonequinhos fazendo as merdas!
2 - Conte-nos como foram as filmagens de seu segmento para o “Tropical SOV”.
As filmagens deste foram tranquilas, não aconteceu nada errado. Acho que o assustador foi isso. Não teve problema nenhum para resolver. Só percebi que preciso colocar mais dois pontos de luz para filmagens de longe. No próximo arrumo isso. Vou melhorar ainda os esqueletos para os movimentos, isto já sei, mas resolvo mais para frente, pois tenho vários bonecos feitos de arame mesmo.
3 - Teve algum imprevisto durante as filmagens que você gostaria de nos contar (com todos os detalhes sórdidos, por favor).
O que aconteceu mesmo foi que calculei errado o tempo para fazer o vídeo, achei que não ia dar para filmar, editar tudo que eu tinha planejado e resolvi encerrar o vídeo com o símbolo da paz. Ia ter mais coisas com o pássaro e o peixe, que até cheguei a postar no grupo de realizadores do filme. Faltaram 2 cenas. Agora, vejo que daria tempo de fazer, mas tá beleza.
4 - Gostaria que você falasse sobre seu processo de trabalho com as técnicas de Stop Motion. E quais conselhos daria para os jovens que queiram produzir seus próprios filmes em Stop Motion.
O meu processo de trabalho com o stop motion é artesanal, acho bacana porque que não é apenas fazer o boneco e fotografar, tem toda uma estrutura para fazer os movimentos, etc, mais importante que os bonecos, são os suportes usados para sustentar eles sem se moverem. Tem o esqueleto, a iluminação, edição, o modo que você faz a sequência das fotos para aproveitar melhor na edição, os cenários, fundo, o croma key, posicionamento da câmera (que no meu caso foi o tablet), tem muita gambiarra por trás da animação e isto eu gosto bastante de fazer. Também acho legal fazer eu mesmo as coisas, ir descobrindo ,aperfeiçoando, etc. Não teria graça se eu encomendasse um esqueleto já usinado e perfeito para os bonecos pela internet, prefiro comprar um ferro de solda e mandar ver, o que sair, tá valendo. Aliás, este será o meu próximo passo, depois de esgotar os bonecos que tenho por aqui.
5 - Nosso projeto “Tropical SOV” celebra o Shot On Video, que sempre foi uma expressão cinematográfica marginal à produção de cinema oficial e inspirado na filosofia do “Faça Você Mesmo”. Que conselho você gostaria de dar (ou qualquer tipo de ponderação) sobre essa arte tão difícil, mas divertida, de se produzir de maneira independente?
Acabou que falei sobre o lance do faça você mesmo, essa eu acho que é a onda de todos mesmo. Acho que até quem tem muito recurso para produzir, dinheiro, patrocínio, material, espaço, etc, usa este lema.. Por mais que você tenha todos os recursos disponíveis para fazer alguma coisa, se não tiver vontade de fazer, não vai sair nada. Sem vontade não se faz. O meu conselho para quem quer fazer stop motion, ou qualquer coisa, é comece, vai indo, hoje, com câmera digital, aplicativos, internet, ficou muito mais tranquilo de fazer qualquer coisa, participar dos festivais, interagir. Para mim é legal, um aprendizado constante. Acho que é esta a proposta mesmo e vamos seguindo.
Bom, é isso aí, isso que falei, foi bem resumido mesmo, esta é basicamente a minha historia com stop motion e os vídeos. Obrigado pelo convite para participar do projeto. É um prazer fazer parte disso. Um abraço a todos e vamos que vamos.
Ficha técnica
Roteiro, Direção, Animação e Edição: Luciano Irrthum
Luciano Irrthum Filmes
Filmografia
O Mingau da Vovó (Brasil, 1999, 1:40)
BUG (Brasil, 2015, 01:35)
Bicho Papão (Brasil, 2015, 05:14)
O Coveiro (Brasil, 2015, 01:55)
O Oitavo Passageiro (Brasil, 2015, 00:59)
A Idealização da Humanidade Futura (Brasil, 2016, 02:50)
O Fim da Disney (Brasil, 2016, 00:59)
A Historia de Petrus (Brasil, 2021, 09:01)
Ululante (Brasil, 2021, 00:59)
O Endereço do Diabo (Brasil, 2021, 04:17)
Em Deus Confiamos (Brasil, 2021, 04:30)
SOS (Brasil, 2024, 02:19)
Insetos (Brasil, 2024, 03:12)
Refluxo (Brasil, 2025, 01:43)
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