Trailer
Entrevista
1 - Você pode se apresentar falando sobre sua arte, suas realizações, colaboradores e como se apresenta a cena de cinema independente na região em que você vive.
Bem, na contramão da maioria que começa jovem, eu demorei bastante pra tomar coragem pra colocar a mão na massa. Sempre fui aficionado por filmes, mas conhecer o movimento SOV e o cinema marginal brasileiro que a vontade de sair filmando começou. Foi durante a pandemia, e com o incentivo do meu sobrinho, então com cinco anos, que eu resolvi tentar, e logo ali já descobri que qualidade técnica não seria meu foco principal, estava mais interessado em divertir e fazer rir, especialmente de debochar. Infelizmente aqui na região que moro, na região metropolitana de Maringá, no noroeste do Paraná, apesar de existir uma cena legal de música, pro cinema a coisa não é assim. Existe sim aquele pessoal que filma, mas sempre parecem estar mais preocupados no próximo edital do que em fazer um filme legal, então foi me correspondendo com outros cineastas underground do país todo que encontrei apoio e uma turma pra chamar de minha. Inclusive, o nosso maior nome do cinema SOV brasileiro, Petter Baiestorf, passou de admirado pra, acho que posso dizer, amigo pessoal, e cá estamos nós fazendo coisas juntos.
2 - Conte-nos como foram as filmagens de seu segmento para o “Tropical SOV”.
A ideia eu já tinha fazia algum tempo, obviamente inspirada no momento político tenebroso atual que vivemos, mas não conseguia decupar ele ainda. Aí o início do projeto coincidiu com a chegada da minha nova tela verde que eu tinha comprado, e resolvi experimentar, já que a maior parte do filme se passaria em um único ambiente, então, basicamente em uma tarde, eu e meu sobrinho montamos e filmamos tudo. Acabei regravando algumas cenas do meu personagem no fim de semana seguinte, mas esses momentos de gravação são muito divertidos, pena serem tão poucos.
3 - Teve algum imprevisto durante as filmagens que você gostaria de nos contar (com todos os detalhes sórdidos, por favor).
Bem, teve a porcaria dos dois isqueiros que utilizei pra acender um charuto que resolveram não funcionar de jeito nenhum durantes as filmagens, isso que foram testados no dia anterior, aí rolou até uma vela e um fogo digital pra resolver a situação. Também teve a situação que gravei todas as minhas cenas com o microfone de lapela aparecendo, aí de um porão de tortura, eu fiquei tendo a sensação que aquilo fosse um talk show, então regravei minhas cenas. Também tinha a verruga preta que precisava colar no rosto do Eduardo, e nada fazia aquele negócio grudar, então eu o enganei e colei com cola quente, o que não foi muito agradável. Como deixamos a cena inicial pra filmar no final, ele não quis colar ela de novo, então filmei ele de ladinho.
4 - Eu gostaria que você falasse sobre o seu sobrinho, Eduardo Carvalho, que é seu fiel escudeiro nas produções. Já aproveitando a pergunta, fale também do documentário “Os Filhos do Underground contra o Crânio da Batata de Pano”.
Sim, por falta de opções, ele está sempre aí, já que os amigos acabam diminuindo a empolgação após uma tarde no set. No começo bastava algum suborno, tipo levar no McDonalds, mas, no fundo, ele assume que gosta, já são cinco anos de parceria. Até incentivo ele a ter suas próprias ideias e acabar filmando também, ainda não rolou, e estamos entrando naquela fase estranha e misteriosa da adolescência, tudo pode acontecer. Dois amigos que já foram parceiros em algum projeto foram o Luciano de Miranda de Matão e o Fabiano Soares, do Rio de Janeiro, e ambos filmaram com seus filhos pequenos, aí certo dia tive essa ideia de entrevistar as crianças sobre a participação deles no cinema amador, fiz primeiro com o Eduardo e achei legal, então falei com eles sobre a ideia, escrevi as perguntas e o Luciano entrevistou o Lucas e o Fabiano entrevistou o Edgar, que participará também do “Tropical SOV”. O resultado ficou bem legal e assim nasceu “Os Filhos do Underground contra o Crânio da Batata de Pano”, que em breve será exibido aí pertinho de você, fiquem ligados.
5 - Nosso projeto “Tropical SOV” celebra o Shot On Video, que sempre foi uma expressão cinematográfica marginal à produção de cinema oficial e inspirado na filosofia do “Faça Você Mesmo”. Que conselho você gostaria de dar (ou qualquer tipo de ponderação) sobre essa arte tão difícil, mas divertida, de se produzir de maneira independente?
Primeiro, saiba o que você quer fazer, você quer abraçar o cinema amador, se divertir muito e ganhar nenhum dinheiro, ou quer ser aquele cara sério que quer filmar no estilo Netflix e passar as noites preenchendo edital? Pra esse segundo eu não tenho nenhuma, não é pra mim, pro primeiro a regra é simples, sempre compense a falta de recursos com a coisa mais divertida que você conseguir, faça o filme que você gostaria de assistir, não tenha medo de se sujar, não seja sério demais, você pode não viver disso, mas vai ter a melhor terapia da sua vida. O resto hoje tá tudo na sua mão, celulares com câmeras fantásticas, programas de edição fáceis pra celular ou computador e umas lojas de bugiganga chinesas cheias de equipamentos, penduricalhos, acessórios e outras coisas baratinhas pra você se divertir. Se divirta.
Making Of e Erros de gravação
Ficha técnica
Direção, roteiro, produção, direção de fotografia, edição, efeitos visuais, figurino: Jonathan Rodrigues
Assistente de direção, operador de câmera: Eduardo Carvalho
Música: L. Bórgia Rossetti
Estrelando
Jonathan Rodrigues - Pastor General Bráulio
Eduardo Carvalho - Ex gay, ateu e comunista / irmão gêmeo
Filmado com celular Xiaomi Poco X5 Pro
Batata Filmes
Filmografia
O Assassino Incrivelmente Distraído (Brasil, 2021, 4 min),
Brinquedos revoltados de Plutão que não é mais planeta (Brasil, 2021, 9 min, Prêmio Família Sci-Fi no 1º Sci-Fi Floripa Film Festival),
Passeio no Parque (Brasil, 2022, 13 min),
A Câmara de Torturas Sexuais do Doutor Josefel (Brasil, 2022, 21 min),
Plutão Definitivamente não é mais Planeta (Brasil, 2022, 5 min),
O Evangelho Segundo o Fascismo – A Ofensa Final (Brasil, 2022, 6 min),
Poltergosma (Brasil, 2022, 15 min),
Breve História do Cinema Pornô com Bela Lugosi (Brasil, 2023, 12 min),
Noite de Terror no Planalto (Brasil, 2023, 18 min, Prêmio de Melhor Curta Experimental no 1º Festival Internacional de Cinema de Ribeirão Preto),
Á Meia-Noite Lacrarei meu Tio (Brasil, 2023, 20 min),
The Amityville Exploitation (Brasil, 2024, 8 min),
La Lucha Invade El Cine Mexicano (Brasil, 2024, 28 min),
A Praia dos Amores do Senhor Baiestorf (2024, 6 min),
Edmisio, que foi para São Paulo atrás do dinheiro que o vento leva (Brasil, 2024, 3 min)
A Inteligência Artificial Contra a Estupidez Natural na Oficina do Diabo (Brasil, 2024, 3 min),
O Leiteiro (Brasil, 2024, 9 min),
Os Filhos do Underground Contra o Crânio da Batata de Pano (Brasil, 2025, 17 min),
O Destruidor de Plutão Conquista o Universo (Brasil, 2025, 7 min),
Uma Aventura na Selva (Brasil, 2025, 4 min),
Tropical SOV (Brasil, 2025, 92min, segmento Na Fronteira do Evangelistão Perdi Minha Liberdade),
Senhor Baiestorf e o Picolé de Limão (Brasil, 2025, 5min),
Baratas Digitais em Baixa Resolução do Inferno (Brasil, 2025, 1min),
Ficção Científica para Alunos Aplicados (Brasil, 2025, 6min),
Sebastião e o Diabo na Terra dos Filhos do Trovão (Brasil, Em produção, 3 min)













