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Pôster oficial Tropical SOV

Barbarah Canali

Arte da logo e do pôster

Curitiba, Paraná

Artista, desenhista, tatuadora e eventual atriz, ela criou o lindo pôster de Tropical SOV.

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 Barbarah Canali

Entrevista

1 - Você pode se apresentar falando sobre sua arte, suas realizações, e como é a cena de cinema independente, quadrinhos e artes visuais na região em que você vive.
Eu me chamo Barbarah (vulgarmente conhecida como Pistolissima) e tenho 27 anos. Sou tatuadora e desenhista, nasci no litoral de São Paulo e moro em Curitiba há 5 anos. Tenho a tatuagem como profissão há 7 anos e meu enfoque é em tatuagens tradicionais com temáticas voltadas para cinema, especialmente o de horror. Em 2022 atuei pela primeira vez no curta “Estímulos”, dirigido pela Rebeca Capozzi, que também foi minha primeira experiência envolvida diretamente com cinema de forma prática.

Ao longo desses 5 anos em Curitiba, graças ao meu trabalho como tatuadora, pude conhecer muitos apaixonados por cinema, a cidade é cheia deles. Não só o cinema, mas a arte independente de forma geral é muito forte por aqui. Curitiba é conhecida nacionalmente por ser um antro fascista no Brasil e eu tenho uma teoria de que todo lugar que atrai muito facho atrai anti-facho na mesma medida como resposta. Inflama um sentimento de revolta e transgressão que eu observo muito em alguns artistas independentes que conheço.

2 - Você criou o logo de “Tropical SOV” e também dois cartazes para o filme. Eu gostaria que você falasse sobre as técnicas que utilizou e as escolhas estéticas/referências.

O logo eu criei seguindo mais diretamente as instruções do Baiestorf, ele me enviou o logo do Impetigo, em que as letras são formadas por membros decepados, órgãos internos e tripas, e me pediu pra fazer algo parecido, mas com algumas frutas pelo meio pra remeter ao “tropical”. Eu achei a ideia super legal, não conhecia a banda nem sabia que impetigo era uma doença, então fui procurar o logo no Google pra ver como era e me deparei com imagens incríveis!

Para o poster, a princípio tive a ideia de fazer uma colagem, é um formato que gosto muito e que conceitualmente conversa perfeitamente com o filme: uma antologia de curtas-metragens é como uma colagem, só que de filmes! Cada um feito do seu jeito, como imagens impressas em diferentes revistas, em diferentes tipos de papéis, que no final serão cortadas e remontadas. Tanto filmes quanto colagens são feitos de cortes e montagens. E a colagem sempre foi um formato acessível e democrático, e sempre esteve ligada ao espírito “faça você mesmo”, que tem tudo a ver com o “Tropical SOV”.

Depois tive a ideia de fazer a ilustração do poster oficial, que aconteceu após eu rever “Desperate Living” (1977), do John Waters. Um dos cartazes desse filme é uma mesa posta muito elegante, e a refeição no prato é uma salada de rato morto. Depois disso fiquei pensando em John Waters, fruta, salada de rato, praia e doença de pele, e no dia seguinte eu tive a ideia de fazer uma salada de pé decepado, prato especial do restaurante mais escroto que se pode encontrar na beira da pior praia que você já visitou. A guardanapeira, o cinzeiro de buteco e o chinelo havaiana estão ali para te dar a triste notícia: “você está no Brasil. (desculpe)”. Esteticamente, eu busquei fazer algo na linha de “Beavis e Butt-Head”, pois gosto muito do trabalho do Mike Judge. O azul apático do fundo eu peguei de “Gummo”, que tem uma das refeições nojentas mais famosas do cinema e é um dos meus filmes favoritos. 


3 - Você era para ter dirigido um dos segmentos do filme. Pode falar sobre ele e porque não rolou as gravações? Às vezes as dificuldades de produção e a não feitura da arte também nos ensina muito. E, aproveitando a pergunta, também gostaria que você contasse como foram as filmagens de “Estímulos”, filme onde você atua e que é um filme que eu adoro!

Há alguns meses eu mudei pra um estúdio de tattoo novo e foi um momento um pouco caótico, pois com a mudança de estúdio muitas outras coisas mudaram em relação a minha rotina, então a minha organização acabou fugindo do prazo estipulado. Também passei muito tempo em duvida sobre gravar ou fazer em animação. Fazer filmes envolve muita organização e planejamento, e naquele momento toda a minha organização e planejamento estavam voltados pra tatuagem, e como eu odeio a possibilidade de atrasar o lado dos outros e de fazer as coisas na pressa e acabar fazendo de qualquer jeito, muito a contragosto desisti de gravar o meu segmento, mas me ofereci pra cuidar da parte das artes e ilustrações pro que precisasse. Eu ainda quero gravar o curta, mas acho que pra uma primeira experiência dirigindo alguma coisa, eu só conseguiria entregar algo satisfatório se conseguisse dedicar minha atenção totalmente ao filme. 

Gravar “Estímulos” foi super legal! Conheci a Rebeca e o Jorge quando comecei a tatuar em Curitiba, na época eles haviam acabado de gravar “Gore Positive” e a Rebeca me convidou para atuar no curta que ela havia escrito. Eu nunca tinha atuado antes, então fiquei bem nervosa, mas topei porque a ideia de participar de um filme estava bem acima de qualquer nervosismo. Gravamos em dois dias, o primeiro foi no apartamento de 30m² que eu morava, devia ter umas 7 ou 8 pessoas enfiadas lá. Gravamos os segmentos da cozinha, a minha cozinha era ridiculamente pequena. Foi o dia que gravamos a cena em que eu como lixo, é a cena que eu mais aguardei pra gravar, estava muito animada. Aquela lata de lixo era a grande estrela pra mim, era só uma banana com maquiagem, borra de café e umas porcarias jogadas, e na gravação parece tão asqueroso! Mas o que foi asqueroso mesmo foi o enfadonho miojo de chocolate que eu tive que comer, que deixamos algumas horas guardado na geladeira pra ficar ainda mais intragável.

O segundo dia foi na casa do Jorge e da Rebeca, foi bem mais intenso pois já estávamos cansados do dia anterior, começamos a gravar muito cedo e terminamos muito tarde. Acho que uns 75% do filme foi gravado nesse dia, foi bem cansativo. Mas a Rebeca e o Jorge são muito organizados e fizeram um planejamento muito bom para as gravações, então tudo saiu dentro dos conformes. Eles fizeram um ótimo trabalho de edição e trilha sonora, e a Lara, que fez a direção de arte, também fez ótimas escolhas em relação a maquiagem e cenário. No final das gravações todos estavam esgotados e eu com a cara queimada de tantas vezes repetir o processo de aplicar, retocar, remover, lavar, e hidratar o rosto, mas tudo valeu muito a pena. Sou muito grata a Rebeca e ao Jorge por terem me convidado pra esse projeto e espero que eles tenham gostado do curta tanto quanto eu gostei. Algum dia, quero atuar como doidinha de novo, mas uma doidinha maligna.


4 - Você também é tatuadora. Gostaria que falasse sobre teus trabalhos e que, também, desse as informações de como quem quer tatuar contigo pode fazê-lo.

Eu aprendi a tatuar há 12 anos, quando tinha 15, tatuo profissionalmente há 7, mas só há 2 venho me voltando para a tatuagem tradicional americana (que algumas pessoas conhecem por “old school”). É um estilo demarcado por linhas grossas, cores sólidas e desenhos limpos. Eu fiz um estudo intensivo de toda a história e fundamentos pra conseguir aplicá-los e desenvolvê-los dentro de temáticas voltadas principalmente para filmes, esse é um trabalho que venho desenvolvendo com mais afinco desde o ano passado. Há seis meses, entrei para um estúdio maior em Curitiba, voltado exclusivamente para tatuagem tradicional. Tem sido ótimo em termos de desenvolvimento artístico e profissional e é um ótimo aprendizado estar ao lado de tatuadores que admiro tanto.

Apesar do enfoque em cinema, consigo desenvolver qualquer ideia que esteja dentro do meu escopo artístico. Eu atendo no Tattoo Or Die, no centro de Curitiba, e em São Paulo esporadicamente. Você pode me contatar a respeito de algum desenho meu ou me mandar a sua ideia e fazer um orçamento pelo meu instagram, @pistolissima.

5 - Nosso projeto “Tropical SOV” celebra o Shot On Video, que sempre foi uma expressão cinematográfica marginal à produção de cinema oficial e inspirado na filosofia do “Faça Você Mesmo”. Que conselho você gostaria de dar (ou qualquer tipo de ponderação) sobre essa arte tão difícil, mas divertida, de se produzir de maneira independente.

Eu vejo arte como mais uma das coisas naturais que o capitalismo mata ou perverte como prefere conforme a necessidade. Pra mim, qualquer arte que surja de uma vontade espontânea de criar é automaticamente transgressora. Uma adolescente picotando revistas pra fazer uma colagem cheia de frustrações anotadas em um diário secreto não quer a aprovação de ninguém pra fazer isso, ela só quer fazer, e são alguns minutos a menos doomscrolling alguma rede social tentando convencê-la que ela deveria emagrecer ou gastar o dinheiro dela com tal bobagem.

E eu vejo a arte independente dessa forma, só que em maior escala. Não há dinheiro, não há glória e é muito difícil, então acho que quem faz arte independente faz porque não consegue deixar de fazer, tem uma vontade espontânea de criar acima de todas as dificuldades. Pra quase tudo dá-se um jeito quando se quer muito alguma coisa. E eu acho que arte parte de um local de muita vaidade. Toda arte acontece, primordialmente, para si. Você é seu primeiro observador, e o que você fez é uma fração de si mesmo, um registro de escolhas e abdicações que você produz com a sua bagagem num ponto do espaço-tempo. Mesmo que você faça algo com a motivação de agradar a outra pessoa, você ainda está buscando saciar em si mesmo a sua própria necessidade de agradar aos outros. Então, nesse sentido, o meu único conselho é: faça o que você gosta e o que faz sentido pra você. Quando fazemos as coisas com segundas intenções (como aprovação, fama, e essas coisas legais que aparecem no filme Scarface), nos distraímos no fazer e fazemos malfeito. Atenção leva ao capricho, e o capricho leva a fazer as coisas bem, e quando fazemos as coisas bem ficamos em paz. O capitalismo não quer que você fique em paz, então dedique toda a sua atenção a sua arte, trabalhe bem mequetrefe só o suficiente pra pegar o seguro-desemprego, force uma demissão, mate o seu patrão e grave um curta com os seus amigos.

REPRESENTAÇÃO

Representação

Distribuição

Informações

Petter Baiestorf

baiestorf@yahoo.com.br

(49) 99807-1432

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