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Escrotamente Carnivoroso

de Ted Rafael

Fortaleza, Ceará

Sujeitinho asqueroso perambula sobre carne, cinema e política em um covil imundo. Cercado de bebidas, equipamentos e comunismo soviético.

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Entrevista

1 - Você pode se apresentar falando sobre sua arte, suas realizações, colaboradores e como se apresenta a cena de cinema independente na região em que você vive.

Ted Rafael Araujo Nogueira. Historiador por incompleta formação e documentarista e cineasta marginal sem formação acadêmica nenhuma. As vertentes com as quais me identifico no cinema buscam abraçar hora terror/horror, hora documentário. Muito por uma indagação de significação de urbanidades e como as mesmas são projetadas em tela. Numa perspectiva marxista acerca da luta de classes, obviamente vista de maneira terceirizada e um olhar de um sujeito que nunca passou fome na vida, mas que tem em seu âmago uma defesa pelo operariado que são as criaturas a sustentar a HISTÓRIA. E é a partir do prisma de se comunicar através da grosseria que busco intencionar o meu trabalho – inclusive quando me meto a ser também um comentarista de cinema (mais conhecido como crítico) –, afinal existem muitos filtros melindrosos que visam a coerção do cinema a algo assexuado. Falta mais DESORDEM ao cinema. E isto não é um simulacro de isenção para quaisquer canalhices que sejam, mas, sim, uma posição acerca da apropriação indébita/roubo/sequestro de esquemas de cinema que busquem a fuga do comum conservador do que o considerado tradicional abraça. Mas não somente como ruptura (também), mas com novas misturas. O conservador com o vanguardista (que seja).

A história tanto empurra para este caminho quanto a política e as várias estéticas de cinemas brabos. O fortalecimento da esculhambação como mote é algo a ser tangenciado sim. Como oportunidade ao aparecimento de ideias e criações de universos escusos. É aquele tipo de fita sensacional que busca não só informar, mas deformar mesmo. De “O Homem com a Câmera” (URSS. 1929), do Dziga Vertov, ao “Delírios de Um Anormal” (Brasil. 1978), do Zé do Caixão. A relação dos sujeitos com as imagens e como elas podem comunicar putarias ao próximo seja por avanços tecnológicos democratizadores, ao exercício da montagem de restos e colagens censurados. Tudo é imagem e tudo pode ser montado e virar fita de cinema. O truque é a manipulação movimentada dos corpos e sentidos para se causar qualquer tipo de marmota no espectador.

O tesão de se fazer cinema sempre me acometera, porém o discurso pequeno burguês se instalara na minha cabeça por um tempo. De que cinema é caro e precisamos de editais ou formas outras de financiamento graúdo para a existência das fitas. Tem tempos que isso fora superado pela minha pessoa. Muito por influência do cinema do citado Zé do Caixão como dalguns outros como Frank Henenlotter, Jairo Ferreira e Rogério Sganzerla, que fizeram diversos trabalhos com raça e anarquia. Com estrago. Assim como minhas experiências pelo fazer de cinema guerrilheiro.

A termos de colaboracionismo criminoso acerca dos matérias de feitura underground tenho aqui alguns chapas que fornecem tempo, talento e falta de sensibilidade para participarem dos projetos. Desde um casal de amigos diretores – David Aguiar e Sabina Colares – a amigos fotógrafos – Rômulo Santos, Caio Ramos e Miyagi Hernandes –, passando por produtores e sonoplastas – Davi Jaguaribe e Paulo César Ribeiro. Essas figuras estão no limbo do cinematográfico asqueroso e delícia de filmes marginalmente undergrounds das bordas. É juntando essas peças que um quebra-cabeças brabo pode ser montado. É ajuntamento criativo do fazer cinema na força do ódio. O ódio é útil e criativo.

Inclusive um dos projetos com os quais mais tenho a volúpia em ter feito seria o curta-metragem “Matraca” (2016), que é um projeto que já abraçara a forma de produção e conteúdo como o qual me debruço na contemporaneidade. Produção curta e de grande liberdade de ação. E espaço para improviso crítico. Um material que tem estofo para promover uma expressão histórica e política sem proselitismos pangarés e com direito a proposições de personagens oportunizados. Com um morador de rua dividindo protagonismo como nosso personagem principal. Uma obra contestadora e experimental. Isto é cinema. É esculhambo. É sagaz. E é a este tipo de crueza com qual quero continuar a me debruçar. A crueza das primeiras crias dos realizadores. Aqueles trabalhos sem amarras e lotados de excitação e sonhos escusos. E isto não se trata de uma nostalgia (ou cosmética) da pobreza – fazer cinema com grana é o certo, mas não a mentalidade –, mas uma relação como gosto de realizador. A manutenção dessa crueza visceral somada a experiências adquiridas. Sem perder o frescor (e a frescura).



2 - Conte-nos como foram as filmagens de seu segmento para o “Tropical SOV”.
“Escrotamente Carnivoroso. Pra começo de conversa, a convite do Petter Baiestorf, fui incumbido da participação do Tropical SOV. Eis que fora um momento de surpresa com o qual eu me debruçara tendo que inventar algo que versasse com o subgênero (ou não, foda-se), e sendo feito o mais rapidamente possível. Então já pensei numa composição frontal acerca do discurso entre a carne, o horror, a morte e o comunismo marx-lenin-stalinista. Como tergiversar essa amálgama esculachatória de maneira a compor um manifesto antifascista e arrombador? Primei pela precariedade como mote criativo, além, de esculhambação e palavrório político. Escolhi prontamente a mim mesmo como ator/personagem na interlocução da arenga oral. Isto como escolha primária, e vamos ao discurso. A carne como mote entre política e pau na desgraça nazifascista. Com pouco tempo de tela para exprimir a maçaroca fui pelo caminho denuncioso critico com asco, nojeira e visceralidade. Nisso vem, o uso do não-orçamento. A compra de 2 carnes de lata, uma sardinha em lata e uma carteira de cigarros. O orçamento. Todas para usufruto em cena. Na demonstração da carne como experimento humano e como sua utilização pode ser comparada politicamente. Comprada a carne, vamos a escolha do cenário e apetrechos usados na fita. Como acumulador que sou, a gama de tralhas – valiosas – que guardei serviram. De caveiras diversas a um aparelho de som dos anos 90. Passando por livros sobre Stalin e cinema pornô, e ferramentas como martelo e alicate. O que eu queria era ocupar a imagem inteira com tudo quanto fosse possível de objetos. Essa é uma formatação inspiradora que muito vi do próprio Mojica que coordenava muito bem o que mostrar – o “À meia noite levarei sua Alma” (1964) é tenaz essa questão –, e outro exemplo seria o Rodrigo Aragão no “Mar Negro” (Brasil. 2013). A imagem sem vazios e propositadamente ajambrada no recheio do que mostrar. Juntei esta acepção com a transformação da imagem em caos pelo abuso de coisas presentes. Obviamente um caos com direcionamento. Afinal, é uma amostra de um personagem sujo, bruto e rude no que tem a dizer. E obviamente que tudo fora filmado num quintal (o meu próprio). Por sobre uma mesa preta e lotada dos apetrechos citados. Programei pra captar tudo numa única noite/madrugada, para conter gastos obviamente e por conseguir um sujeito pra ficar na operação de câmera – Miyagi Hernandes – enquanto eu assim fora diretor e diretor de fotografia, além de ator e fazer o som. 
É um encaixe das tralhas valiosas enfiadas brutalmente nas imagens na intencionalidade do caos instaurado. Como referência à anarquia sanguinário tenho como material de citação a turma da produtora Necrostorm. Porra que galera foda. Apostam em filmes absolutamente exagerados e brutais, com enfoque na violência desmedida para uma comunicação própria. Materiais como Hotel Inferno (2013) [suas sequências Hotel Inferno 2: The Cathedral of Pain (2017) e Hotel Inferno 3: The Castle of Screams (2021), também merecem citadas serem] de Giulio De Santi, e Adam Chaplin (2011) de Emanuele De Santi, Giulio De Santi, me são muito úteis nessa questão. Trabalham com a precariedade de suas existências com terror/horror aloprador. Uso de planos fechados e destruição carnal severa. Uma beleza. Procurem materiais dessa produtora. Só porrada.
E foi neste espectro de crueza que a coisa fora realizado. Com uma única luz vinda lateralmente (e assim o tempo todo, já que não pretendi em momento algum mudar a luz ou qualquer programação a mais. O ambiente tétrico é esse). Fui logo na intenção de criar um ambiente que desse conta tanto da seboseira ensejada quanto um espaço de constatação política de decisão comunista e de ascos aos fascistas. Atingir esta condicionante deliciosamente dialética era a minha curtição. Aí preparei a opressão maravilhosamente stalinista. Com o posicionamento de uma biografia sua com a capa em grande destaque de imagem para o Stalin, não sem mostrar um simbolismo caro ao comunismo: o martelo do operariado. Um alicate. Caveiras diversas também se fazem presentes. Uma mostra do que diabos acontecera aos fascistas quando se lidam com o tratamento correto de suas carcaças. E é direto mesmo. Um ponto irônico de se salientar é que a presente biografia que aparece em tela é escrita por Leon Trotsky, que fora morto em 1940, e há a versão de que executado fora a mando de Stalin. Para os mais ácidos ele se matara com 5 facadas nas costas. Fim da provocação (por hora). E a cachaça? Nada mais justo que a bebida faça parte de processos revolucionários ou doutros tantos de cunho procrastinador. O ambiente agressivo é parte do jogo de discursos e brabezas. Inclusive na entrada dos planos iniciais e o que se segue em subsequência é o som que gravei de uma geladeira e que metamorfoseado fora no processo de montagem – David Aguiar e a minha pessoa. Som este que tivera várias modificações rumo ao esquisito opressivo da narrativa enquanto as imagens eram igualmente vomitadas. É a opressividade em imagem e som. O tangenciamento de um tesão meu pelo desconforto de outrem. Principalmente por conta da falta de recursos para ignorâncias maiores. É da minha opção também a planificação de composição das imagens com poluição e caos, mas não de maneira a deixar tudo gostosinho e inteirinho. Caveiras pela metade a aparecer interessam. Ou cortes secos. E um som Sony dos anos 90. Sony FH W55av. Herdado do meu falecido avô. Som que em parte ainda se mostra funcional, e agora usado fora com objetivos escusos e cinematográficos – assim como as fitas K7, e até 2 VHS –  que também tenho na coleção. A música em seguida vem como pancadaria mesmo. De uma banda de heavy Metal cearense. A Agressivium. Agradecimento pela disposição da música do meu chapa André Felipe, guitarrista e compositor da música “The Eternal Plagues”. São as pragas eternas mesmo. Dentro desta escumalha cinemática vem outro exercício de montagem. Imagens de arquivos de combates da Segunda Guerra Mundial registrando não só a minha pesquisa pra este negócio, mas da escolha das fotos que tratam do conflito entre o exército nazista contra a resistência soviética na batalha de Stalingrado em 1942. Isto com a música atropelando a porra toda e as imagens de guerra sendo intercaladas com uma caveira steampunk. É guerra. Luta. Pancadaria e resistência. Depois disto vem o momento de manifestação frontal. 
Proponho uma junção entre o uso da carne como alegoria de história e guerra. A carne estragada como sendo a existência nazista. Além do fato de que a carne enlatada salvara milhões durante o conflito. A escolha foi fechar num plano mais próximo possível que pegasse somente a minha boca e os dedos que carregavam mais anéis de caveira e um cigarro dos mais vagabundos. Esses planos de detalhes corporais me interessam. Fogem da beleza de planos tradicionalmente abertos que almejam um determinado todo. Eu quero a internalização dos conflitos (além do fato de que não atuo porra nenhuma, e isso nem diferença faz. Sigamos). É nesse fechamento que a franqueza da mensagem pode se fazer da forma que me interessa. 
Discurso feito, vamos à merenda. Digladiar-se com as latas de carne e sardinha. Comer o material apreciando-o. Grosseira e sebosamente pra causar estrago mesmo. Um sujeitinho sujo é o fim. E bebedor de cachaça. É um ambiente de vícios protegidos pelo sistema capitalista e por vários outros. Um mundo sem vícios é um troço insípido e sem função de curtições. O cara é asqueroso (ótimo), mas mesmo assim ele é a chave de um falatório antifascistoso. Não é uma condicionante contraditória, mas uma noção de realidade tácita de quais são as marmotas pelas quais ainda combatemos? O existir de pangarés que trazem a baila pensamentos fascistas enquanto nos acometem de um pânico moral para que as massas aceitem debater e perder tempo com estas merdas enquanto outros se deliciam com esta merda AUTORITÁRIA. 
Para findar a brincadeira primei por um discurso em off por sobre imagens de fascistas e nazistas de altos escalões executados (Mussolini, Goering, Goebbels) – além do testa de ferro do projetinho de nazismo tropical (agradecendo a terminologia do Ciro Gomes que encaixa bem na jogada) que deu as caras aqui por 4 anos no poder executivo. E intercalando isto, pus algumas imagens de animais mortos que gravei anos atrás enquanto estava num projeto de documentário e visitava um açougue no interior do Ceará. E pra arrematar, uma imagem do Stalin. O executor de nazistas. 
Segui esta linha para montar uma narrativa que desse conta rapidamente de uma irascibilidade que eu quisera criar. E nisso me vem a escolha por um preto e branco de contraste acentuado. Cria um clima bruto onde o apontamento dos inimigos é claro. Uma hipérbole para um observatório de desgraças. O exercício de montagem fora concatenado num espaço de 11 horas dois dias após as gravações. Em conluio criminoso com o camarada David Aguiar, montei o troço com ele e o sujeito completou o processo de edição de imagens, sons e correção de cor nessas 11 horas. Um maroto processo de debate sobre cinema trash e político diverso e papos severos sobre rock e música eletrônica perpassaram os momentos de montagem. Um trabalho com atrito, conflito e direção, experimentalismo, seboseira e cara de pau. Dentro do que era possibilitado pela realidade material assim ofertada. Eu queria esta junção entre planos fechados com poucos movimentos de câmera (na verdade só há um movimento, e um zoom digital na edição durante noutro plano), e imagens severas entrecortadas com caveiras e música pesada. A construção de um clima com uma montagem que ia e vinha com diversidades invocadas. E tudo isso em 3 minutos e 45 segundos. Se é pra aloprar que seja na porrada. 

3 - Teve algum imprevisto durante as filmagens que você gostaria de nos contar (com todos os detalhes sórdidos, por favor).
Eu só fumo charuto. E nem sou la muito assíduo. Esqueço de fumar e tudo. E nem sou fã de cigarro. Mas fumei uma carteira inteira do cigarro mais vagabundo que consegui encontrar. Nisso a gravação foi interrompida uma vez porque a porra da quentura desse cigarro me enchia o saco e acabei me engasgando com esse negócio. Quem não tem o costume de ser uma chaminé as vezes se lasca. O outro imprevisto foi a minha burrice. Fui comprar uma salsicha em lata também e peguei com tanta certeza que descobri a posteriori que era uma carne de lata a mais. Repetida, mas doutra marca. Estava na madrugada e não deu pra ir atrás de comprar a salsicha em lata. Então foda-se. Entrou no filme. Eu iria comer a salsicha em lata inteira e beber o liquido da conserva. Já fiz essa marmota antes. Vai ficar para o próximo projeto. 

4 - Além de realizador você também mantém um Cineclube, eu gostaria que você falasse sobre como é ser um exibidor de outros realizadores independentes, a importância de exibir filmes que de outra forma não chegariam as pessoas da sua região. E também dê dicas de como as pessoas podem montar Cine Clubes nas cidades onde vivem.
Estou com um projeto de Cine Clube. O CINE CÃO. A ser aloprado num bar de rock. E apesar do atraso ele vai acontecer agora no fim de abril de 2025 e manter-se-á pelo período que me der na telha (eternamente, assim espero). O uso desses espaços diversos me é caro na importância da existência de formas de distribuição alternativas para o cinema independente, afinal, as grandes distribuidoras – na massacrante maioria – estão cagando para o tipo de projeto que queremos exibir. Nisso vem a obrigatoriedade de quem puder expor estes filmes feitos com vontade, afinco e falta de verba, e não menos do que estritamente necessários. É um microcosmo de escolha minha para se tenha o espaço pra realizadores do underground. Isto é consciência de classe. E olhe que sou um realizador de classe média. Há figuras outras com realidades bem mais severas que a minha e que não possuem possibilitações melhores. Não sou salvador de porra nenhuma, mas quero me unir a outros realizadores que buscam um espaço de sobrevivência para o cinema do bagaço. Participar da montagem dessas redes de exibições marginais de vários cinemas a serem enaltecidos é o barato do lance. 
E a escolha de um bar de rock é óbvia. Um ajuntamento de malucos fãs de heavy metal (Doom, Thrash, Black e os caralhos), rock progressivo e outros avacalhos. E a carência pela falta de locais de exibições de obras de terror é sentida. Não que não hajam espaços para tal – há exibições de mostras e festivais por aqui, a saber teve a Mostra Papo Meia-Noite organizada pelo realizador de terror/horror local Mozart Freire e que acontecera em 2023; e o festival internacional Sinistro Fest dos realizadores Thiago Rocha e Wesley Gondim que já vai para sua quarta edição com espaço para realizadores do underground brasileiro/nordestino/cearense –, mas o anseio por mais é crescente. Por isso viera esta minha ideia na manutenção de um espaço que aborde estes cinemas bagaceiros e que se discuta a permanência deles.  
Buscar um público é um caminho maroto. Ainda mais num local onde já exista circulação. Assim não se pega terra arrasada. E a escolha de um horário onde a galera esteja presente. Já participei de cine clubes com propostas excelentes, mas com horários ruins que davam baixo público mesmo com o esforço da equipe (mesmo com pouco público, que a resistência exista, querermos ser vistos). E outra coisa que é tanto importante quanto óbvia, é a concatenação dos debates. Com realizadores, debatedores, mediadores e público. Dar espaço para se discutir esse tipo de cinema. Junte a sua galera com sua caixa de som emprestada e um projetor roubado que seja, e exiba os filmes e debata sobre os mesmos. Como eles foram feitos? O que diabos eles querem comunicar? Para que servem? E outra proposição é oportunizar o negócio para outras plataformas. Liga um celular numa caixa de som, grava o debate que seja (se houver microfones ligados na caixa) e joga o negócio nalgum podcast. Ou grava-se de outro jeito se for possível. É outra forma de divulgação. Obviamente de quem conseguir fazer. Se não puder, faça mesmo assim.

5 - Nosso projeto “Tropical SOV” celebra o Shot On Video, que sempre foi uma expressão cinematográfica marginal à produção de cinema oficial e inspirado na filosofia do “Faça Você Mesmo”. Que conselho você gostaria de dar (ou qualquer tipo de ponderação) sobre essa arte tão difícil, mas divertida, de se produzir de maneira independente?
A ponderação é que se faça cinema sem ponderar porra nenhuma. A arte do fazer na marra acarreta dificuldades grandes, e aqui não se trata de se fazer um elogio a existência da insalubridade e da precariedade, mas de enaltecer a subsistência de fitas feitas nestas condições. Este é o lance. Não é o ideal, mas é necessário. Falo isso de um lugar de classe média baixa. Pra deixar bem claro. Usei uma câmera blackmagic BMCC 2.5k (câmera de 2012/2013 que gosto pra caralho) pra fazer o meu segmento “Escrotamente Carnivoroso”, além de um gravador zoom H8 e um lapela Sony UW3. E uma luz de teatro Luatek Led Cob 200w. Eu fiz o meu com acesso a câmera e equipamentos outros, mas é processo de suar sangue por anos pra conseguir esse equipamento e diante disso exposto que afirmo que dá pra fazer sim. Mesmo que possa parecer contraditório de minha parte, mas existem realizadores com menos condições técnicas do que eu que se não são só melhores, produzem bem mais do que eu (falha minha). O lance é produzir. Demorei a aprender. E a indicação que dou é faça o material acontecer. Existem diversas estórias que merecem ser respaldadas e é um crime quando ficam só no campo das ideias. Vamos defender o permanecer desse cinema underground. Vamos avacalhar. Guarde coisas velhas. Livros, eletrodomésticos e tralhas diversas. Use tudo ao seu redor pra meter no seu cinema. Tem um ventilador quebrado? Dá pra guardar por um tempo? Desmonta essa porra e mete ele numa cena de filme pós-apocalíptico gravado numa sujeirada. O ruim é não fazer. Hoje me arrependo profundamente de não ter produzido mais. Não cometam esse vacilo. Fiquem com raiva de mim se eu estiver sendo demagogo e a porra toda, mas produzam. Eu que me lasque. O que interessa são os filmes feitos na marra de vocês. 

Ficha técnica

Direção, produção, 
pesquisa, roteiro, direção de arte, 
som direto, montagem, imagens complementares e 
direção de fotografia
por Ted Rafael

Montagem, Edição e Edição de som por David Aguiar

Operação de câmera por Miyagi Hernandes

 

Música

“The Eternal Plagues”

de Agressivium

Cedido por Agressivium

 

Estrelando Ted Rafael (Narração)

 

Agradecimentos: André Felipe, Petter Baiestorf, Miyagi Hernandes, David Aguiar, Semmada Arrais, Antonello Veneri, Joseph Stalin, Vladimir Lenin, Karl Marx e URSS -  União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

Gravado com câmera Blackmagic BMCC 2.5k e gravador de som Zoom H8

Calango Cinematográfica

Filmografia

Peixe Frito (Brasil, 2014, 5 min.)
Matraca (co-direção com David Aguiar, Sabina Colares e George Frota, Brasil, 2016, 18 min.)
Parir ou Esperar (Brasil, 2019, 3 min.)
O Combatente do Ceará (Brasil, 2020/2025, em produção)
Escrotamente Carnivoroso (Brasil, 2025, 4 min)

REPRESENTAÇÃO

Representação

Distribuição

Informações

Petter Baiestorf

baiestorf@yahoo.com.br

(49) 99807-1432

© 2025 layout por Além da Terra. Editado por Jonathan Rodrigues. Criado com Wix.com

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